quinta-feira, 12 de abril de 2012

Uso de emoticons patenteados gera ação contra a Samsung :(



Para engrossar o rol de demandas judiciais insólitas nos Estados Unidos, a empresa Varia Holdings LLC está processando a Samsung por supostamente utilizar emoticons patenteados em seus aparelhos de telefonia celular.

No processo, apresentado à Corte do Distrito de Nova York no mês de março de 2012, alega que a Patente No. 7,167,731, cujo título é "Método e Aparato para Inserção de Emoticons" (Emoticon Input Method and Apparatus), foi violada pela empresa ré.

Veja mais detalhes na íntegra do processo, clicando aqui.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

O lado oculto do BacenJud: Como empresas estão burlando o Poder Judiciário


O BacenJud é o instrumento que o Poder Judiciário, por intermédio do Banco Central do Brasil, dispõe para eletronicamente requisitar informações de contas-corrente, além de bloquear, desbloquear ou transferir valores de pessoas e réus em processos judiciais.

O Conselho Nacional de Justiça percebeu que algumas empresas, de forma a burlar o sistema do BacenJud, estavam depositando seus recursos financeiros em cooperativas de crédito, sendo estas instituições financeiras que não são manejáveis através do BacenJud, conforme esclarece esta nota do Jornal Valor Econômico.,

O advogado Alexandre Atheniense destaca em um de seus artigos que, na fase III do BacenJud, serão incluídas as cooperativas de crédito no sistema.

É de se questionar: Quais outras formas não estão submetidas ao controle do BacenJud e podem, de forma alternativa, serem utilizadas de forma imoral para desviar deste instrumento do Poder Judiciário?


  • Corretoras de valores: Estas instituições financeiras realizam verdadeiro contrato de depósito com seus clientes. As contas são facilmente iniciadas, existindo corretoras que, inclusive, permite que a abertura de conta seja totalmente realizada por meio eletrônico, sequer sendo necessário comparecer à sede da empresa, como é o caso da Corretora MyCAP, de âmbito internacional e que começou suas atividades no Brasil há cerca de três anos.
  • Clubes de investimento: Associações sem fins lucrativos em que participantes depositam dinheiro junto à uma corretora para investir em grupo no mercado de ações, conta esta que é gerida por um dos participantes. Esta metodologia oportuniza que um dos participantes oculte valores ou transfira à conta de outros participantes, de forma a burlar o BacenJud.
  • Associações de poupança e empréstimo: Constituídas sob a forma de sociedade civil de propriedade comum de seus associados, estas estruturas organizacionais estão aptas a emitir letras, cédulas, títulos, e seu passivo é constituído também de depósitos em caderneta de poupança.
Percebe-se que o sistema BacenJud ainda deve englobar várias outras modalidades, de forma a alcançar o pleno objetivo de satisfazer a demanda judicial.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Evasão eletrônica de divisas: Remessa dinheiro ao exterior via Internet


A Internet tem facilitado bastante as transações eletrônicas em moeda real, permitindo a transferência de recursos financeiros a nível mundial de forma instantânea.

O efeito colateral desta realidade é que diversos sites que oferecem um típico contrato de depósito e conta-corrente estão servindo à prática ilegal de evasão de divisas, que é a remessa não autorizada de recursos ao exterior.

Porém, os sites que oferecem estes serviços estão vinculados a outros serviços agregados, como o de jogos de azar, apostas esportivas, e corretagem de títulos ou derivativos.

Listamos abaixo diversos sites que contribuem para essa evasão eletrônica:



  • Sites de apostas esportivas online: estes sites tiveram grande participação na chamada Máfia dos Apitos de 2005, onde se forjavam resultados de partidas de futebol para favorecimento de determinados apostadores. Para apostarem, os jogadores devem enviar recursos ao site, normalmente através de cartão de crédito ou de transferência bancária (bank wire), os quais ficam depositados em uma conta-corrente virtual. Alguns exemplos são: Bet365, BetFair (este foi o principal site utilizado pela Máfia do Apito, aceitando ainda apostas no Campeonato Brasileiro) e 888sport.

  • Jogos de azar: Os maiores e mais lucrativos sites da Internet, estes oferecem contrato de conta-corrente online também. O mais famoso site de poker, o PokerStars, oferece uma ampla gama de formas de transferência dos recursos, conforme se pode verificar na imagem acima. Curiosamente, este site possui domicílio fiscal na Ilha de Man, conhecido paraíso fiscal situado nas ilhas britânicas.

  • Sites de transferência online: Estes sites são bastante eficientes e, quando licitamente utilizados, promovem uma infinidade de facilidades a empresas e clientes de todo o mundo. O Paypal, a maior empresa do ramo, aceita pagamento via e-mail e está testando um método inovador de pagamento por celular. É extremamente fácil, rápido e efetivo a transferência de recursos através destes meios.

  • Corretoras de valores: Há as corretoras de valores internacionais online, se destacando principalmente os sites que operam no mercado de títulos cambiais, o Forex. A maioria se encontram em paraísos fiscais, para fugirem da fiscalização de entidades governamentais de regulação de mercados de balcão. Estes mercados são bastante conhecidos por sua potencialidade de lesão ao investidor. A maioria das corretoras populares operam em desfavor de seus próprios clientes, fazendo transações de arbitragem e se utilizando de práticas de scam. São alguns exemplos de corretoras: AvaFX, eToro, Forex.com e ACM.

  • Sistema monetário virtual descentralizado: Um sistema monetário extremamente inovador e perigoso, o BitCoin foi desenvolvido por Satoshi Nakamoto (possivelmente um codinome), é mantido de forma distributiva (peer-to-peer) e livre de regulação governamental. É uma forma de pagamento aceita pelos sites Wikileaks, Internet Archive e Free Software Foundation. A forma de aquisição das moedas é bastante complexa, mas já se traduzem em alguns valores monetários oficiais. É bastante utilizado para pagamento de transações ilegais intermediadas pela Underweb.

quarta-feira, 21 de março de 2012

18 mil empresas em apenas cinco andares? Conheça a Ugland House, nas Ilhas Cayman.


Um edifício com apenas cinco andares foi o endereço fiscal escolhido para 18.857 filiais de diversas empresas, entre elas 60 das 100 maiores do mundo no ranking da Forbes, como Microsoft, Coca Cola, Intel, Procter & Gamble e Oracle.

Situada na capital das Ilhas Cayman, George Town, é oficialmente uma das sedes do escritório de advocacia Maples and Calder, firma especializada em assessoria financeira internacional e que diversas sedes em paraísos fiscais, como a Irlanda e as Ilhas Virgens Britânicas.

Durante as campanhas presidenciais do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, este edifício foi anunciado como "a maior fraude tributária de todos os tempos", e, em 2008, foi investigado pelo Gabinete de Contabilidade Pública do Governo americano, o qual estimou que, em decorrência desta prática de companhias offshore, bilhões de dólares deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos.

As Ilhas Cayman sempre foi um dos principais e famoso paraíso fiscal, participando como ativo coadjuvante na crise da companhia americana Enron Corp., a qual ocultou 2.9 bilhões de dólares em perdas contábeis utillizando-se de 441 filiais situadas nas ilhas.

Também é papel central na trama envolvendo o banqueiro Daniel Dantas e a transferência de dinheiro para o exterior a partir de contas CC5, possuindo uma filial do Opportunity Fund também em George Town.

Em entrevista, o porta-voz da Oracle alega que sua filial em Cayman detém uma pequena parcela de ações de uma companhia estrangeira, se recusando a divulgar qual seria esta. O da Procter & Gamble argumenta que sua subsidiária nas illhas é apenas um ramo inativo da holding.

Porém, a opinião do Senado americano Carl Levin, do Partido Democrata de Michigan, é diversa: "Muitas das companhias registradas na Igland House são menos do que uma caixa postal, criada para permitir que corporações transfiram recursos para paraísos fiscais com baixa ou nenhuma tributação sobre o capital, ao invés de declararem estes valores ao Governo americano".

O Banco J.P. Morgan Chase & Co. estima que 650 bilhões em lucros auferidos por companhias dentro dos Estados Unidos nunca foram declarados para fins de tributação, e 47% do dinheiro lucrado no exterior foi mantido em paraísos fiscais, como as Ilhas Cayman.

As subsidiárias nas ilhas do maior produtor de refrigerantes do mundo, a Coca Cola, detém o controle societário de duas fábricas de xarope, matéria-prima do refrigerante, situadas na Irlanda. De acordo com seu relatório anual aos investidores de 2003, a companhia relata que economizou 500 milhões de dólares em tributos em decorrência de suas subsidiárias estrangeiras. As subsidiárias no paraíso fiscal, ainda, vendem matéria-prima para 75 países para evitar os custos tributários americanos. Porém, seu porta-voz se recusa a comentar a estratégia tributária da companhia por "razões competitivas".

É importante que os governos se preocupem com estas transferências de recursos a paraísos fiscais, pois servem não só para praticar sonegação fiscal, mas também para lavagem de dinheiro, tráfico de armas e drogas, e para a corrupção.

Recentemente, foram detectados fundos escusos do Presidente da CBF Ricardo Teixeira, que eram repatriados através da subscrição de capital estrangeiro em empresas brasileiras.

Em que pese as Ilhas Cayman sejam um dos mais conhecidos paraísos fiscais, não é um dos mais problemáticos. Dentro do próprio território americano, no Estado de Delaware, na cidade de Wilmington, há a 1209 North Orange Street, há um prédio térreo que abriga 8.500 companhias registradas e serve de endereço corporativo e fiscal para 200.000 empresas, incluindo o Google, American Airlines, General Motors, Coca Cola, Kentucky Fried Chicken e Verizon.

Portanto, percebe-se a facilidade com que setores mais abastados da sociedade, ao contrário das camadas proletárias e assalariados em geral, conseguem sonegar impostos de forma facilitada, ante o fenômeno social da globalização.

Em nosso próximo post, falarei das formas brasileiras de transferência de capital ao exterior, incluindo para offshores.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Proteja seu patrimônio digital como um banqueiro - Operação Satiagraha e Daniel Dantas


Em julho de 2008, as investigações da Operação Satiagraha conduzidas pela Polícia Federal levaram à apreensão de discos rígidos contendo dados do banqueiro Daniel Dantas, suspeito de envolvimento em desvios de verbas públicas, corrupçã e lavagem de capitais, bem como de pagamento de propinas a políticos, juízes e jornalistas.

Para surpresa dos investigadores, descobriu-se que os dados apreendidos estavam encriptados pela tecnologia AES (Advanced Encryption Standard) de 256 bits. Este é o nome da técnica de encriptação que exige um número de operações de brute force (tentativa e erro) iguais a 2 elevado à 256 potência. A título ilustrativo, se seria necessário um tempo maior que a idade do universo para quebrar esta criptografia.
Esta tecnologia é utilizada e aprovada pela Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA) para proteção de dados das categorias CLASSIFIED, SECRET e TOP SECRET, bem como de demais informações do Governo federal.

A tecnologia, acessível para todos de forma gratuita, foi empregada com o uso do programa TrueCrypt, conforme relatado pela assessoria do banqueiro.

É uma solução gratuita que emprega diversas formas de encriptação, entre elas a AES-256 bits.
Entre as comunicações via e-mail, textos e outras formas de comunicação era usada a tecnologia PGP (Pretty Good Privacy), criada por Phi Zimmermann em 1991.

Trata-se de uma estrutura de chaves públicas, semelhante às usadas pelo Poder Público brasileiro em sua  Infraestrutura de Chaves Públicas.

Embora esta tecnologia esteja atualmente patenteada e titularizada a uma empresa privada, há também uma solução gratuita acessível a qualquer usuário, o OpenPGP.

O PGP, ao contrário da tecnologia AES-256 que é de chaves simétricas, possui uma estrutura assimétrica. Significa que não necssariamente a mesma senha, chave ou certificado que codificou os dados será a que os descodificará. Dessa forma, é possível que um arquivo seja encriptado por uma chave privada e descodificado por uma chave pública, e vice-versa.

A facilidade desta tecnologia é que, para permitir acesso de um terceiro aos dados, não é necessário ao emitente que forneça sua senha pessoal e privada, bastando fornecer uma senha pública.

O grande mérito dessas tecnologias foi que aproximou do cidadão comum tecnologias de ponta em matéria de encriptação, tratamento e sigilo de dados digitais. Dessa forma, não mais se torna um monopólio de grandes instituições e corporações, mas estando acessível a pessoas e pequenas empresas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Veja os documentos apresentados pelo Facebook para sua abertura de capital: Lucrativo, mas caro.



Esperada como a maior IPO (Initial Public Offering, ou oferta inicial de ações) da área da tecnologia de todos os tempos, o Facebook apresentou o formulário necessário para a operação à U.S. Stocks Exchange, o órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil.

Neste documento (cujo conteúdo pode ser conferido aqui), o Facebook pretende arrecadar de 5 a 10 bilhões de dólares. A título de comparação, a Google arrecadou 1,7 bilhão de doláres no primeiro dia após a IPO.

A operação, que contará com o auxílio dos bancos de investimento Morgan Stanley, J.P. Morgan e Goldman Sachs, lançará no mercado papéis correspondente às operações da empresa que conta com 845 milhões de usuários ativos e receitas de 3,7 bilhões de dólares em 2011.

Em comparação com outras IPOs recentes de tecnologia, o Facebook se mostra superior às do Groupon e Yahoo, mas inferior às do Google e Linkedin.

Outro dado que chama atenção é que 85% de sua receita advém de publicidade, e esta fórmula poderá ser uma dificuldade a longo prazo para a empresa, que terá como missão variar a diversidade de sua fonte de lucro.

Clique aqui e leia na íntegra o formulário S-1 apresentado pelo Facebook à U.S. Stock Exchange.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Jogadora processa Facebook e Zynga por cobrança indevida em jogo online



Rebecca Swift, uma norte-americana do estado da Califórnia e usuária dos jogos FarmVille, Mafia Wars, YoVille! e Roller Coaster kingdom, aplicativos disponibilizados pelo Facebook e criados pela empresa Zynga Inc., está processando ambas por descontar de seu cartão de crédito e de sua fatura de telefone valores não autorizados em troca de moeda virtual.

Afirma que disponibilizou seu número de telefone para um anunciante da Zynga em troca de ganhar alguns "Yocash", a moeda virtual do jogo Yoville!, mas nem a empresa nem a anunciante informaram que isto iria resultar em uma cobrança na conta telefônica. Relata que foram cobrados três vezes o valor de $ 9.99 dólares.

Não bastasse a ousada cobrança, a Zynga ainda ofereceu uma "amostra grátis de chá verde", que resultou na cobrança de $ 79.95 dólares.

Rebecca está pedindo uma indenização de mais de 5 milhões de dólares em face dos danos ocasionados "a ela e a demais cidadãos enganados".

Atualmente, o processo está pendente de análise pela corte de apelação do estado da Califórnia.

Veja o andamento do processo (em inglês) clicando aqui.